ATP de Sydney 2011

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Já estamos no final de maio, torneio de Roland Garros em sua metade e eu ainda não tinha escrito sobre os eventos de tênis de início de ano na Austrália. Para aqueles que já sabem que tênis é o melhor esporte do mundo, a Austrália em janeiro é definitivamente o lugar pra se estar.

Existem 4 principais torneios de tênis durante o ano, o chamado Grand Slam, a saber: Aberto da Austrália (Melbourne em Janeiro), Roland Garros (Paris em Maio), Wimbledon (Londres em Junho) e o aberto dos Estados Unidos (Nova York, normalmente em agosto) e uma série de torneios preparatórios para esses grandes eventos, realizados nas semanas que os antecedem, mais ou menos na mesma região, no mesmo tipo de quadra, com a mesma marca de bolas, etc.

Um dos torneios preparatórios para o Aberto da Austrália é justamente o ATP de Sydney, que acontece na semana anterior ao evento em Melbourne. O torneio é bastante interessante e é jogado tanto por homens quanto por mulheres (não são todos os torneios de tênis que são jogados dessa forma, grande parte deles são jogados ou por homens ou por mulheres) e esse ano atraiu 8 das 10 primeiras mulheres do ranking, apesar de nenhum top10 masculino.

O ATP de Sydney é realizado no Sydney Olympic Park, um complexo gigantesco onde foram realizados os jogos de 2000. O parque é um pouco afastado do centro da cidade, aproximadamente 40 minutos de trem, mas de qualquer forma é interessante ver como ele foi concebido e vem sendo reusado depois das olimpíadas: muitos dos eventos esportivos passaram a ser disputados por lá, assim como uma parte significativa dos shows, concertos e outros tipos de evento.

E é sempre interessante estar em um lugar onde a história do esporte aconteceu. Na quadra central do complexo de tênis, lembro que Kafelnikov ganhou do Guga por 2×0 e caminhou tranquilo pra final, onde venceu Tommy Haas, que nas semi-finais venceu Roger Federer (na época apenas um promissor jogador, quem diria). Kafelnikov ficou com o ouro e o Federer, incrivelmente, perdeu a disputa do bronze para um francês, que sinceramente nem me lembro o nome.

Apesar do parque olímpico ser um pouco fora de mão pra quem mora mais perto do centro, assistir à alguns jogos do torneio é uma experiência interessante. O local tem um infraestrutura excelente, apesar da comida das barracas e lanchonetes ao redor não ser das melhores! O custo não é dos mais altos, em torno de 45 dólares o ingresso para a quadra central – caso você só queira assistir aos jogos das quadras secundárias durante a semana, o chamado ground pass estava apenas 9 dólares.

Na semana seguinte embarcamos pra Melbourne para o Aberto da Austrália, que fica para o próximo post! De qualquer forma, aproveitando que Roland Garros está acontecendo justamente nessas duas semanas, caso interesse, fica o relato da nossa passagem por lá em 2008 para a partida de despedida do Guga: http://www.jetlag.com.br/?p=31

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Trem para o aeroporto

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Principalmente pra quem mora em São Paulo e viaja muito de avião, a idéia de se ter uma estação de metrô no aeroporto, como é de praxe em muitas outras cidades grandes do mundo, agrada e muito. Mas vivendo em uma cidade onde isso existe, comecei a me perguntar se isso funcionaria de maneira eficaz no Brasil.

Aqui em Sydney existe um aeroporto com 2 terminais, um doméstico e outro internacional, cada um com sua própria estação de trem. O preço do ticket é diferenciado e o passe semanal/mensal não pode ser usado para se embarcar/desembarcar nessas duas estações – existe uma taxa extra de aproximadamente 15 dólares para cada embarque ou desembarque nessas estações, ou seja, 30 dólares por pessoa pra ir e voltar de trem de casa até o aeroporto. Isso não chega exatamente a ser um problema (a não ser que você trabalhe no aeroporto e precise usar esse meio de transporte diariamente), já que um táxi do aeroporto até o centro da cidade deve ficar em torno de 100 dólares por trecho.

Para se seguir de trem até o aeroporto existe a necessidade de se fazer uma baldeação na Central Station, certamente a maior e mais movimentada da cidade. E andando pela estação você consegue facilmente identificar quem está indo para o aeroporto ou não: turistas com malas enormes, mochileiros, executivos com pastas e laptops, etc. Um viajante nunca passa despercebido.

Dito isso, fico me perguntando se eu sairia de casa em São Paulo, com uma mala cheia, documentos originais necessários para o embarque, passaporte, notebook, etc., pegaria o metrô no Ipiranga, faria baldeação na Ana Rosa, depois na estação da Sé e desembarcaria no aeroporto de Guarulhos. Aqui em Sydney talvez não exista esse problema, mas em São Paulo com certeza eu seria um alvo fácil de assalto pelo caminho todo. E numa viagem, seja ela de turismo ou de negócios, você carrega consigo coisas importantes e que com certeza você não está disposto a arriscar. Já é muito comum assalto a táxis saindo do aeroporto de Congonhas em São Paulo, onde o foco é o roubo de laptops, celulares e outros equipamentos eletrônicos – tenho certeza que pegando o metrô você se torna um alvo mais fácil ainda.

Mas enfim, como parece muito distante ainda o dia em que teremos estações de metrô nos aeroportos de São Paulo, não vou me alongar muito mais no assunto. Vou aproveitando por aqui a possibilidade de pegar o trem na porta de casa, descer na estação do aeroporto, subir na escada rolante e já sair direto na fila do check-in.

Iron Maiden, Jethro Tull, (não) The Cure, etc.

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Dando sequência a temporada de shows na Austrália, fomos ao show do Iron Maiden, Jethro Tull e não conseguimos comprar ingresso para o show do The Cure. Vamos aos fatos:

Iron Maiden

Os ingressos para o show do Iron Maiden eu já tinha comprado do Brasil pelo site da Ticketmaster, pedindo para retirar pessoalmente no local do show. Sem problemas no momento de retirá-los.

O show foi no Sydney Entertainment Centre, um local razoávelmente grande, com capacidade para aproximadamente 12 mil pessoas e perto da Central Station do trem. A região tem uma infra-estrutura boa, perto de Chinatown e com vários restaurantes ao redor. No próprio local existe um McDonalds também.

Não tem como não dizer que é mais fácil ir em eventos desse porte por aqui do que no Brasil; a maior parte dos locais de show são perto de estações de trêm e muitas vezes o ingresso para o evento inclui o transporte coletivo. Além disso, entar nos locais é sempre mais tranquilo que no Brasil – pelo menos nos shows que fomos até agora não existe revista na entrada nem nada.

Sobre o show não existem reclamações a serem feitas. Com certeza a turnê “The Final Frontier” não tem o mesmo repertório espetacular de “Somewhere Back in Time“, mas mostra que o Iron Maiden ainda é capaz de novas produções com a mesma qualidade. De qualquer forma os rumores que essa seja a última turnê da banda aumentam a cada dia.

Jethro Tull

Também compramos os ingressos pela Ticketmaster e recebemos os ingressos em 3 dias em casa, incrivelmente sem taxa de entrega.

O show foi no Sydney State Theatre, um teatro construído na década de 20 e que ainda se mantém basicamente igual! É uma experiência interessante observar uma decoração tão antiga ainda em uso. A localização do teatro é excelente também, praticamente na mesma quadra da Town Hall Station – muito fácil. Já no quesito infra-estrutura fica um pouco a dever para locais mais novos: existe apenas um pequeno café dentro do local e como se sabe, tudo aqui no centro da cidade fecha pontualmente às 5 da tarde, ou seja, apesar de existir shoppings e locais bons para comer ao redor do teatro, na hora do show já estão todos fechados.

Eu particularmente gostei muito da acústica do lugar, perfeita durante todo o show. Jethro Tull certamente não é o tipo de banda que agrada a todos os gostos, mas alguém que consegue se tornar um ícone do Rock mundial, como Ian Anderson, simplesmente cantando, tocando flauta e bandolin merece respeito! O show foi muito bom e a maioria dos clássicos foi tocada, mas infelizmente uma de minhas favoritas “Too old too rock n roll: Too young to die” ficou de fora dessa vez.

The Cure

Mesmo para os grandes shows, como o do U2 que teve aqui no ano passado, não parece existir uma grande dificuldade para se comprar ingressos. A exceção com certeza é quando o show acontece no Opera House. Os ingressos para os dois dias de show do The Cure acabaram em apenas 6 minutos.

A mesma coisa já tinha acontecido no show do Sting em janeiro; 4 dias de shows esgotados em menos de uma hora. O mesmo “fenônemo” não ocorreu nas outras cidades em que o show também aconteceu. Se você quisesse assistir o show em Melbourne ou em Perth seria mais fácil, até os últimos dias antes do show ainda havia ingressos à venda.

Pela agenda do Opera House, praticamente não existem muitos espetáculos mais “mundanos” como shows de rock, somente espetáculos mais clássicos, como ballet, orquestras sinfônicas, etc. Nas raras oportunidades em que eles ocorrem os ingressos parecem se esgotar quase que imediatamente.

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De uma forma geral Sydney tem uma agenda de shows e eventos um pouco abaixo da expectativa (ou pelo menos da minha expectativa) quando comparada à outros grandes centros. Nem de longe se pode sequer tentar comparar a qualidade e infra-estrutura dos locais em Nova York ou Londres com os encontrados aqui. Da mesma forma o número de eventos que acontecem aqui são menores.

Um local como o Sydney Entertainment Centre é muito mais comparável com o Credicard Hall de São Paulo do que ao The O2 Arena de Londres, por exemplo, em termos de infra-estrutura. A grande vantagem daqui é você poder ir e voltar com calma do local, utilizando transporte coletivo, com os shows começando e terminando precisamente nos horários pré-determinados. Mesmo quando os eventos são em estádios é possível chegar e sair do local com calma, pegar o ônibus ou trêm e voltar tranquilamente pra casa. Nada de pagar R$150,00 para um flanelhinha para poder estacionar seu carro perto de um estádio.

Se você for pensar somente em termos de agenda de shows, São Paulo e Rio de Janeiro parecem hoje ser um centro melhor que Sydney. Na minha visão existe uma “carência” maior por eventos desse porte no Brasil do que aqui na Austrália em geral, além de um número maior de pessoas que tiveram uma melhora substancial em suas rendas nos últimos tempos e que estão dispostas a gastar mais dinheiro em diversão.

Basta comparar o número de eventos no Brasil nos últimos anos e o aumento absurdo do preço dos ingressos para qualquer tipo de show que seja – mesmo em dólar o valor do ingresso no Brasil para os shows do U2 e Bon Jovi, por exemplo, foram mais caros no Brasil do que na Austrália. Isso faz com que esses centros sejam hoje até mais atrativos financeiramente para os artistas do que Sydney. Acho que um bom exemplo é o próprio Paul McCartney que volta ao Brasil para show no Rio de Janeiro, menos de 6 meses depois de sua última passagem pelo Brasil.

Vegemite

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O vegemite é um dos símbolos da culinária australiana. Pode-se dizer que está para os australianos assim como a manteiga de amendoin está para os americanos, mas é muito fácil dizer qual das duas é pior: vegemite!

Eu já comi coisas ruins e estranhas na vida: dobradinha, bucho de bode, porquinho da Índia, diversos tipos de bizarrices chinesas e tailândesas, quiabo, jiló, vários tipos de carne crua, etc. Mas nada supera o vegemite! Nada! É quase impossível descrever o quão horrível isso é!

É difícil descrever o gosto dessa pasta, mas parece um gosto de linguiça crua com caldo de carne, extremamente salgada, com cor de geléia de jabuticaba e um cheiro que beira o insuportável. Não é de se admirar que todas as tentativas de popularizar o vegemite em outros países não deram certo.

É simplesmente a pior coisa que eu já comi na vida.

Nossa Casa

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Demorou um pouco mais do que a gente imaginava, mas já estamos no nosso apartamento alugado há alguns meses. Agora com tudo resolvido e com ele todo mobiliado fica mais fácil de escrever sobre ele.

Como eu já tinha falado antes o processo de locação de imóveis por aqui não é dos mais simples. O número de locais disponíveis é menor do que a demanda por moradia, o que implica em alto custo do aluguel e uma enorme disputa pelos apartamentos vagos. Lei da oferta e procura.

A gente já havia decidido morar no bairro de Artarmon – foi o que nos agradou mais entre aqueles que visitamos. É um bairro ao norte do centro da cidade, fácil acesso via trêm e perto dos locais que precisávamos: apenas 1 estação de trêm do meu trabalho, 6 ou 7 estações do centro, onde quase tudo acontece. É um bairro de “colonização” chinesa primordialmente, assim como a maioria aqui na redondeza. É mais fácil ouvir chinês na rua que inglês.

Eu havia tirado uma sexta-feira de folga e ido para Melbourne assistir aos jogos do Australian Open. Logo pela manhã meu celular toca e era a corretora dizendo que nossa aplicação havia sido aprovada – depois de tantas ligações e emails recusando nossas aplicações, foi um alívio e uma felicidade ouvir a famosa frase “I am glad to inform that your application has been approved“. Achei que estava tudo bem e que resolveria o pagamento e a burocracia na segunda-feira quando retornasse à Sydney.

Claro que não foi assim. A gente tinha oferecido 4 meses de pagamento adiantado de aluguel na nossa aplicação e a corretora queria o pagamento fosse feito imediatamente, caso contrário ela abriria novamente o apartamento para inspeção.

Foi uma correria danada bem na nossa folga e tivemos que efetuar o pagamento em dinheiro para que a compensação fosse rápida. Mas mesmo em dinheiro, a compensação não é processada no mesmo dia aqui na Austrália e a corretora acabou abrindo o apartamento para inspeção mais uma vez. De qualquer maneira ela confirmou o pagamento na segunda-feira pela manhã e assegurou o apartamento pra gente.

O contrato de aluguel é válido por um ano – o padrão aqui são contratos de 6 ou 12 meses. Como a concorrência é grande eles se aproveitam de contratos de curta duração para aumentar o preço com certa frequência. Mesmo que você queira fazer inicialmente um contrato de longa duração, o pessoal não aceita.

Algumas fotos de como ficou a nossa casa já devidamente mobiliada: