Impostos, Aposentadoria, etc.

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A carga tributária na Austrália é bastante alta também, mas diferente do Brasil em alguns aspectos.

O imposto mais comum no dia-a-dia é o GST, o imposto sobre bens e serviços, que foi instituído no ano 2000 em uma taxa de 10%. Ele não é um imposto de venda, ou seja, diferentemente dos Estados Unidos por exemplo, o valor do produto que você vê na prateleira das lojas é o valor que você efetivamente paga no caixa. De qualquer forma no seu recibo o valor do imposto vai vir separado do valor total do item. No caso de prestação de serviço os orçamentos são normalmente passados no formato: valor + GST. Um exemplo é o meu contador que me cobra 200 dólares + GST por trimestre pelo seu serviço – O valor que eu efetivamente desembolso para pagá-lo é de 220 dólares então.

O imposto de renda é até mais pesado que no Brasil para algumas faixas de renda:

  • Até 6 mil dólares por ano é isento.
  • De 6 à 37 mil dólares por ano varia entre 0 e 12%.
  • De 37 à 80 mil dólares por ano varia entre 12 e 22%.
  • De 80 à 180 mil por ano vai de 22 à 30%.
  • Acima de 180 mil dólares por ano o valor chega a 45%!

Eu ainda não sei bem como funciona o processo de restituição do imposto de renda.

A questão da aposentadoria é um pouco diferente do usual e funciona quase como uma previdência privada obrigatória. Existe um valor mínimo de 9% do seu salário que deve obrigatoriamente ser depositado (por você ou seu empregador, dependendo da forma de trabalho e do tipo de contrato firmado) numa conta de supperannuation. Existe uma gama enorme de empresas que oferecem esse serviço e são em sua maioria privadas – a diferença entre elas se dá na taxa de manutenção da conta, nos planos de investimento do seu dinheiro, no valor mínimo para abertura da conta, entre outros.

O ponto principal é que você só tem direito a sacar esse dinheiro no momento de sua aposentadoria, que atualmente se dá aos 67 anos para aqueles, assim como eu, nascidos a partir de 1957. Existem algumas pouquíssimas brechas para que esse dinheiro seja sacado antes: A primeira delas é conseguir provar que está em bankruptcy, com sua família passando fome e com a sua casa prestes a ser tomada por falta de pagamento. A segunda maneira é para quem não é cidadão australiano e volta para o seu país de origem de maneira definitiva.

O conceito de aposentadoria como se conhece no Brasil, com o governo pagando uma pensão mensal ao aposentado, também existe aqui, mas são poucas as pessoas elegíveis a ela. Você precisa comprovar, além da idade e um tempo mínimo de 10 anos de residência no país, que não tem condição de se sustentar sem esse dinheiro. É feita uma análise dos seus bens, dos valores por você recebido nos últimos anos, a atual renda familiar e também do valor que você tem direito a sacar de supperannuation e somente após isso é dado um parecer se você tem direito a pensão ou não. Na prática é o seguinte: Se aos 67 anos de idade você tiver um imóvel quitado, um carro e ter recolhido supperannuation pelos últimos 15 ou 20 anos … esqueça a pensão.

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Seis meses na Austrália

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Pois é, o tempo passou rápido mesmo. Essa semana completam seis meses que a gente nos mudou pra cá! Esse primeiro semestre foi bastante intenso e pode ser divididos em basicamente duas fases na minha opinião:

A primeira foi quando a gente chegou por aqui e ainda não tinha nem casa, nem emprego, nem nada basicamente. Foi um período interessante onde era absolutamente tudo novo e a cada minuto que passava uma coisa nova era aprendida – estavamos focados em conseguir toda a nossa documentação, abrir conta em banco, conhecer a cidade, definir o bairro que queríamos morar, achar efetivamente um apartamento, conhecer novas pessoas, rever velhos amigos … e conseguir um emprego .

A segunda fase começou depois do emprego australiano arrumado. Pra mim foi bastante interessante participar dos processos de seleção locais, que em vários aspectos são bem diferentes dos brasileiros. Além disso, vivenciar um ambiente de trabalho diferente, ter que abrir minha própria empresa, entender da tributação local e discutir alguns detalhes com o contador e, principalmente, participar de um projeto do começo ao fim em um país totalmente novo foi muito importante. De qualquer forma conciliar dois empregos não foi/é das tarefas mais simples e é algo que eu não recomendo!

Ainda durante a segunda fase se deu a busca da nossa casa por aqui, as dificuldades pra alugar um imóvel, compra dos móveis, eletrodomésticos etc. Não é fácil pra quem vem de uma cidade grande do Brasil se acostumar com o ritmo muito lento que as coisas acontecem por aqui. Apesar de Sydney ser uma cidade enorme, as coisas no país acontecem de maneira muito vagarosa; tudo fecha muito cedo; tudo demora pra ser entregue; o customer care de todo tipo de serviço é muito pior que o brasileiro e na maioria das vezes tudo é muito caro. Foi uma batalha pra termos nossos móveis entregues (sofá foi entregue com 2 meses de atraso), nossos celulares habilitados numa conta pós-paga (o da Tati demorou 5 meses) e nossa internet funcionando em casa (quase 2 meses pagando sem a internet funcionar).

A segunda fase está terminando. Mês que vem se encerra meu contrato de trabalho local e decidi por não renovar, vou ficar com o meu trabalho remoto pra Stefanini/Dell somente. Também no mês de julho se encerra o curso atual de inglês da Tati. Recebi muitos “conselhos” de que talvez não fosse essa a melhor decisão, que caso eu optasse por ficar num emprego local (ao invés de um emprego remoto no Brasil) eu ganharia um salário melhor e me acostumaria mais rápido com a cultura local, idioma, etc.

Financeiramente falando é verdade, mas meu objetivo maior aqui nunca foi ganhar mais, nem ficar “rico”. Na questão de adaptação a cultura local eu acredito que existem muitos outros aspectos, além do profissional, que eu ainda preciso e quero conhecer. Além disso, já tive minha experiência profissional e já paguei muito (muito mesmo!) imposto aqui esse ano. Fora que ainda não aprendi a surfar, não sei dirigir do lado errado ainda e nem sequer vi um canguru! Tenho muita coisa fora do trabalho pra fazer aqui ainda.

Meu foco agora então será conhecer e aproveitar um pouco mais a cidade e o país (já temos algumas viagens programadas até o final do ano), quero fazer mestrado ano que vem e para isso preciso estudar inglês e tirar uma boa nota no IELTS acadêmico. Preciso tirar carteira de motorista e comprar um carro, já que simplesmente não dá pra contar com transporte público nos finais de semana por aqui. E claro, quero voltar a jogar tênis o quanto antes – existem duas academias de tênis bem legais perto de casa e esse é um dos objetivos principais da terceira fase! Espero que seja um bom segundo semestre.

Rainbow Lorikeet e Australian Raven

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Quando se fala de animais, a Austrália é conhecida por cangurus e koalas, mas pelo menos em Sydney, o que se vê nas ruas é barata, aranha, coelho e muitos pássaros (e bota muitos nisso!). Barata e aranha tem em quantidades infinitas em tudo que é lugar, principalmente no verão. De noite é fácil achar coelhos pela rua, ainda mais nos parques e perto da praia. E uma infinidade de pássaros pra todo lugar que você olha.

Duas espécies de pássaro em particular habitam nossa vizinhança e estão sempre no terraço do nosso apartamento procurando comida. Uma delas é o Rainbow Lorikeet, que são esses coloridinhos nas fotos. São animais bastante simpáticos, curiosamente estão sempre em grupos de 2 (não sei dizer se são casais), são razoávelmente silenciosos e muito cara-de-paus! Toda hora estão na nossa terraça comendo as coisas que a Tati tenta plantar na horta. Senão estão pousados na janela da cozinha pedindo comida! Parecem até domesticados pra falar a verdade – alguns dos vizinhos dão comida pra eles. Essa foto é deles na nossa terraça comendo nossa horta.

A outra é o chatíssimo Australian Raven, que na verdade é um tipo de corvo. Extremamente barulhento e até um pouco agressivo. O bicho é muito chato e adora piar pela manhã e acordar a gente. E tenho que dizer que é um barulho meio “suspeito” até, fiz questão de colocar um mp3 com o som dele. Ouçam e concluam o que parece. Imagine vários desses chatos todo dia na sua janela de manhã.

Som: Australian Raven