Dando sequência a temporada de shows na Austrália, fomos ao show do Iron Maiden, Jethro Tull e não conseguimos comprar ingresso para o show do The Cure. Vamos aos fatos:

Iron Maiden

Os ingressos para o show do Iron Maiden eu já tinha comprado do Brasil pelo site da Ticketmaster, pedindo para retirar pessoalmente no local do show. Sem problemas no momento de retirá-los.

O show foi no Sydney Entertainment Centre, um local razoávelmente grande, com capacidade para aproximadamente 12 mil pessoas e perto da Central Station do trem. A região tem uma infra-estrutura boa, perto de Chinatown e com vários restaurantes ao redor. No próprio local existe um McDonalds também.

Não tem como não dizer que é mais fácil ir em eventos desse porte por aqui do que no Brasil; a maior parte dos locais de show são perto de estações de trêm e muitas vezes o ingresso para o evento inclui o transporte coletivo. Além disso, entar nos locais é sempre mais tranquilo que no Brasil – pelo menos nos shows que fomos até agora não existe revista na entrada nem nada.

Sobre o show não existem reclamações a serem feitas. Com certeza a turnê “The Final Frontier” não tem o mesmo repertório espetacular de “Somewhere Back in Time“, mas mostra que o Iron Maiden ainda é capaz de novas produções com a mesma qualidade. De qualquer forma os rumores que essa seja a última turnê da banda aumentam a cada dia.

Jethro Tull

Também compramos os ingressos pela Ticketmaster e recebemos os ingressos em 3 dias em casa, incrivelmente sem taxa de entrega.

O show foi no Sydney State Theatre, um teatro construído na década de 20 e que ainda se mantém basicamente igual! É uma experiência interessante observar uma decoração tão antiga ainda em uso. A localização do teatro é excelente também, praticamente na mesma quadra da Town Hall Station – muito fácil. Já no quesito infra-estrutura fica um pouco a dever para locais mais novos: existe apenas um pequeno café dentro do local e como se sabe, tudo aqui no centro da cidade fecha pontualmente às 5 da tarde, ou seja, apesar de existir shoppings e locais bons para comer ao redor do teatro, na hora do show já estão todos fechados.

Eu particularmente gostei muito da acústica do lugar, perfeita durante todo o show. Jethro Tull certamente não é o tipo de banda que agrada a todos os gostos, mas alguém que consegue se tornar um ícone do Rock mundial, como Ian Anderson, simplesmente cantando, tocando flauta e bandolin merece respeito! O show foi muito bom e a maioria dos clássicos foi tocada, mas infelizmente uma de minhas favoritas “Too old too rock n roll: Too young to die” ficou de fora dessa vez.

The Cure

Mesmo para os grandes shows, como o do U2 que teve aqui no ano passado, não parece existir uma grande dificuldade para se comprar ingressos. A exceção com certeza é quando o show acontece no Opera House. Os ingressos para os dois dias de show do The Cure acabaram em apenas 6 minutos.

A mesma coisa já tinha acontecido no show do Sting em janeiro; 4 dias de shows esgotados em menos de uma hora. O mesmo “fenônemo” não ocorreu nas outras cidades em que o show também aconteceu. Se você quisesse assistir o show em Melbourne ou em Perth seria mais fácil, até os últimos dias antes do show ainda havia ingressos à venda.

Pela agenda do Opera House, praticamente não existem muitos espetáculos mais “mundanos” como shows de rock, somente espetáculos mais clássicos, como ballet, orquestras sinfônicas, etc. Nas raras oportunidades em que eles ocorrem os ingressos parecem se esgotar quase que imediatamente.

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De uma forma geral Sydney tem uma agenda de shows e eventos um pouco abaixo da expectativa (ou pelo menos da minha expectativa) quando comparada à outros grandes centros. Nem de longe se pode sequer tentar comparar a qualidade e infra-estrutura dos locais em Nova York ou Londres com os encontrados aqui. Da mesma forma o número de eventos que acontecem aqui são menores.

Um local como o Sydney Entertainment Centre é muito mais comparável com o Credicard Hall de São Paulo do que ao The O2 Arena de Londres, por exemplo, em termos de infra-estrutura. A grande vantagem daqui é você poder ir e voltar com calma do local, utilizando transporte coletivo, com os shows começando e terminando precisamente nos horários pré-determinados. Mesmo quando os eventos são em estádios é possível chegar e sair do local com calma, pegar o ônibus ou trêm e voltar tranquilamente pra casa. Nada de pagar R$150,00 para um flanelhinha para poder estacionar seu carro perto de um estádio.

Se você for pensar somente em termos de agenda de shows, São Paulo e Rio de Janeiro parecem hoje ser um centro melhor que Sydney. Na minha visão existe uma “carência” maior por eventos desse porte no Brasil do que aqui na Austrália em geral, além de um número maior de pessoas que tiveram uma melhora substancial em suas rendas nos últimos tempos e que estão dispostas a gastar mais dinheiro em diversão.

Basta comparar o número de eventos no Brasil nos últimos anos e o aumento absurdo do preço dos ingressos para qualquer tipo de show que seja – mesmo em dólar o valor do ingresso no Brasil para os shows do U2 e Bon Jovi, por exemplo, foram mais caros no Brasil do que na Austrália. Isso faz com que esses centros sejam hoje até mais atrativos financeiramente para os artistas do que Sydney. Acho que um bom exemplo é o próprio Paul McCartney que volta ao Brasil para show no Rio de Janeiro, menos de 6 meses depois de sua última passagem pelo Brasil.

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