Doação de Sangue

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Não é possivel para brasileiros doar sangue na Austrália, pelo fato de virmos de um país onde existe Doença de Chagas.

Quando chegamos na Austrália quase 4 anos atrás, já tinha conseguido essa informação no site da Cruz Vermelha. De uns meses pra cá, essa informação deixou de constar no site e resolvi tentar agendar minha doação de sangue. No momento da entrevista me foi dito que não poderia doar por conta de ter nascido no Brasil.

Resolvi então pesquisar alguns motivos e pelo que pude encontrar:

  • Em alguns outros países, você pode solicitar que seu sangue seja testado pra presença de anti-corpos de Trypanosoma Cruzi. Aqui não é o caso e não consegui encontar os motivos exatos. Provavelmente custo.
  • Desde a década de 60 existe efetivamente uma globalização da doença de Chagas. Canadá, Japão e Austrália são os países mais diretamente impactados. Como o transmissor não existe em tais países, a explicação fica por conta da imigração de sul (e centro) americanos para tais localidades.

As alternativas são a doação de plasma e o cadastro como doador de medula óssea.

Para que se possa doar plasma é necessário que você tenha doado sangue pelo menos uma vez nos últimos dois anos. Como não doei sangue em tal período – e não posso doar por ser brasileiro – a alternativa foi fazer a doação de sangue si, mesmo sabendo que o sangue não seria aproveitado. Segundo a Cruz Vermelha, esse é o processo para garantir que você consiga doar sangue e não tenha nenhum tipo de reação.

A doação de plasma é muito mais demorarda; o processo todo dura quase duas horas. Essa doação inicial de sangue é uma oportunidade pros dois lados avaliarem se querem/poder passar pelo processo de doação de plasma.

O cadastro para ser doados de medula óssea é a outra alternativa. Como o processo em si, em caso de você efetivamente se tornar um doador, eles exigem que você leve todo o material pra leitura em casa, preencha os formulários calmamente e, em um outro momento, volte para efetuar o cadastro. Não sei se o processo no Brasil é igual ao daqui.

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Olímpiadas de Inverno 2014

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As Olímpiadas de Inverno começam agora em Fevereiro e a Austrália estará presente mais uma vez. Ao contrário do que se possa imaginar de início, a Austrália tem sim tradição nos jogos de inverno.

Os jogos em si são literalmente “meio” globais, uma vez que já aconteceram em três continentes diferentes em toda a história, mas nunca em um país do hemisfério Sul. Por uma questão de calendário os jogos devem ocorrer no primeiro semestre do ano, onde somente no hemisfério Norte é inverno.

Somente a Austrália e a Nova Zelândia em todo o hemisfério Sul possuem medalistas. Chile e Argentina, que são os outros países tradicionalmente frios do lado de baixo do globo, ainda não tiveram seu primeiro herói olímpico de inverno. A Austrália vem consistentemente conseguindo bons resultados, com medalhas de ouro nas últimas três olimpíadas, sendo duas em Vancouver (além de uma de prata). A expectativa é grande de conquista de medalhas mais uma vez no snowboard e no freestyle skying.

Haverá transmissão ao vivo em TV aberta. Por sinal, o comercial do channel 10 é legal demais. Vale à pena dar uma olhada. Link abaixo:

 

Inocência

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Existem algumas coisas que os brasileiros acabam fazendo por aqui, na maior inocência. São pessoas que saíram do país pela primeira vez, ou que se deparam com alguma pouco usual por aqui. Difícil achar algum brasileiro que não tenha passado por pelo menos uma.

  • Errar a data de início do horário de verão
    • Aqui na Austrália o horário de verão dura 6 meses e começa sempre no primeiro domingo de outubro e termina no primeiro domingo de abril. E diferentemente do Brasil ninguém avisa em nenhum telejornal, nem nada, que o horário vai mudar.
  • Disparar o alarme de incêndio do apartamento
    • Incêndios em residências, infelizmente, são muito comuns por aqui. Então a questão do alarme de incêndio é levado muito a sério. Os alarmes são sensíveis, então tem que tomar cuidado pra não dispararem. Muitas vezes uma fritura simples na cozinha faz o alarme disparar. Em pouco tempo aparece o corpo de bombeiros na sua casa e ainda te aplica uma multa pelo falso alarme.
  • Jogar o papel higiênico no lixo
    • Como é comum na maioria dos países com tubulação e saneamento adequado, o papel higiênico usado se joga no vaso sanitário e não no lixo.
  • Não separar corretamento o lixo
    • Pelo menos em Sydney, existe o sistema de coleta seletiva de lixo. Todos então devem jogar seu lixo de maneira adequada nos latões separados por cor (amarelo, vermelho, azul e verde). E coisas como equipamento eletrônico, móveis, etc. não podem ser jogadas a não ser nas datas pré-definidas pelo council (uma espécie de sub-prefeitura). Jogar móveis na rua fora das datas pré-definidas também pode acarretar em multa.
  • Entrar do lado errado do carro
    • Quem não está acostumado com a mão inglesa, certamente vai cometer esse erro pelo menos uma vez.
  • Achar que vai conseguir tirar a carteira de habilitação de primeira
    • Não comento mais isso. Basta ler todos os posts sob a minha “saga” para conseguir a carteira de motorista
  • Ir no Shopping de noite
    • O comércio em Sydney, tanto de rua quanto nos shoppings, normalmente fecha às 5:30pm, com pouquíssimas exceções. De quinta-feira fica aberto até às 9:00pm e nada mais.
  • Sair pra jantar tarde
    • Assim como o comércio em geral, os restaurantes normalmente fecham bem cedo. Nos bairros residências o horário base é 9:00pm. Alguns restaurantes no centro da cidade ficam aberto até mais tarde, assim como algumas outras poucas exceções.
  • Achar que vai ser bem atendido
    • O customer service de quase todas as empresas, balconistas de lojas, caixas de supermercados, etc., também com poucas exceções, é repleto de pessoas absurdamente mal humoradas. Tento entender os motivos, mas sinceramente ainda não consegui entender
  • Beber cerveja na praia
    • Quase todas as praias de Sydney são alchool free zones, ou seja, o consumo de álcool é proibido tanto na praia quanto nas redondezas. Em grandes eventos públicos, como as celebrações de ano novo, o consumo também é proibido. Multa também é aplicável em quem for pego consumindo álcool em locais não permitidos.

Competitividade Global – WEF

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Aproveitando essa onde de protestos recentes (no Brasil e ao redor do mundo), aproveitei para dar uma pesquisada nos dados referentes à infra-estrutura brasileira quando comparada com outras economias. E claro, sem fugir do tema do blog, tentar fazer um paralelo de como as coisas são na Austrália.

A principal fonte é o gigantesco relatório anual de competitividade global do Fórum Econômico Mundial (WEF) de 2013, um documento de aproximadamente 600 que basicamente analisa as 144 economias mais importantes e ranqueia os países em diversos quesitos.

No que se refere ao ranking de infraestrutura:

  • Qualidade dos Portos: Brasil 135º e Austrália 38º
  • Qualidade dos Aeroportos: Brasil 134º e Austrália 29º
  • Qualidade das Rodovias: Brasil 123º e Austrália 36º
  • Qualidade das Ferrovias: Brasil 100º e Austrália 28º

Claramente os dados mostram que a infraestrutura australiana supera à brasileira, mas de qualquer forma os dados australianos não chegam a ser expressivos quando comparados à outros países do chamado primeiro mundo.

Existe uma seção com os perfis de cada país e em uma sub-seção do perfil é mostrado um gráfico com os maiores problemas para se fazer negócios nos países. Sem surpresa alguma imposto excessivo e falta de infraestrutura adequada são os principais itens. Já na Austrália a legislação trabalhista altamente restritiva e o excesso de burocracia governamental são mostrados como os principais entraves para se fazer negócios por aqui.

O relatório traz também alguns dados do que ele categoriza como “pilares institucionais” e nesse quesito a diferença entre os países é tão grande quanto.

  • Comportamento Ético das Empresas: Brasil 84º e Austrália 11º
  • Eficácia dos Processos de Auditoria: Brasil 42º e Austrália
  • Confiança na Força Policial: Brasil 60º e Austrália 12º
  • Confiança do Povo em seus Políticos: Brasil 121º e Austrália 27º
  • Custo do Crime e Violência nos Negócios: Brasil 122º e Austrália 21º

Nesse ponto dos pilares institucionais a Austrália tem um destaque global maior e evidência mais claramente as diferenças culturais. O custo da violência para o país é um dado interessante também.

Informações referentes à saúde pública, educação, eficácia de mão-de-obra, etc. também são detalhados no relatório. Quem tiver tempo e paciência e gostar de analisar dados, é uma leitura que vale à pena.

Busca Brasileira por Imigrantes Qualificados – parte 1

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Quais motivos fariam um estrangeiro imigrar para o Brasil?

O baixo índice de imigrantes morando no Brasil (vide post anterior); algumas notícias recentes mencionando a busca por imigrantes qualificados, como esta do Miami Herald e a discrepância percentual entre o número de imigrantes morando no Brasil e na Austrália me fizeram tentar responder essa pergunta.

Uma das maneiras de se tentar responder essa questão seria eu citar alguns dos motivos mais comuns que fizeram os brasileiros com os quais eu convivo aqui se mudarem pra cá e, em seguida, tentar fazer um paralelo com um estrangeiro procurando as mesmas coisas em um país diferente:

  • Morar em um lugar mais seguro – Em praticamente qualquer dado estatístico a Austrália se mostra um local mais seguro que o Brasil.
  • Oportunidades de trabalho na área de atuação – Quando apliquei para o visto de imigrante, minha área de atuação era uma profissão em demanda na Austrália, o que implicava em ótimas oportunidades profissionais. Não digo somente bons salários, digo desafios profissionais: projetos interessantes e de vanguarda.
  • Juntar algum dinheiro para voltar ao Brasil (não é o meu caso) – O dólar Australiano é uma moeda forte e aqui se paga bem em certas especializações. Receber salário em dólar Australiano e mandar o dinheiro para o Brasil é uma boa alternativa.
  • Facilidade com o idioma – Inglês é um idioma com o qual muitos brasileiros são familiarizados. É um idioma com uma estrutura gramatical simples e que usa o mesmo alfabeto que o português (alfabeto romando ou latino).
  • Estudar fora – A Austrália tem 3 universidades entre as top 50 no mundo.

Se eu fosse um Australiano, nenhum dos itens acima me atrairia. Provavelmente nem mesmo a questão de oportunidades de trabalho, já que pela coluna do Miami Herald as profissões de maior demanda no Brasil (médicos, engenheiros de minas, arquitetos, etc.) são exatamente as mesmas em demanda por aqui.

Os percentuais de imposto de renda no Brasil (27,5%) e Australia (30% na minha faixa de renda) são similares. A questão financeira certamente não me atrairia, já que o salário seria em Reais.

Os imigrantes qualificados que hoje residem no Brasil também me parecem buscar justamente o que eu vim buscar aqui. Por exemplo, 94% dos médicos estrangeiros que atuam no Brasil vieram da Bolívia, Peru, Colômbia e Cuba respectivamente (vide Uol Saúde). E vieram para atuar nos grandes centros do Brasil, onde certamente se paga melhor. Creio que pessoas que têm o Espanhol como língua nativa têm uma facilidade maior de adaptação no Brasil. Além disso, o Real é uma moeda mais valorizada em relação às demais moedas latino-americanas e (apesar de tudo) certamente os grandes centros nacionais possuem uma infra-estrutura melhor que La Paz e Lima.

O aumento do percentual de imigrantes é salutar em todos os aspectos, mas os imigrantes devem vir de todas as regiões justamente pra trazer diferentes experiências e métodos de trabalhos. O número vem aumentando é verdade: em uma pesquisa de dezembro de 2012, a cada 28 novos empregos criados no Brasil, 1 era preenchido com estrangeiro. Mas, baseando-se no número de médicos do parágrafo acima, ainda é pouco e a variedade de países é muito baixa.

Como convencer profissionais cujas profissões estão em demanda simultaneamente na Austrália ou Canadá (cuja lista de profissões em demandas é também similar à lista do Miami Herald) à escolher o Brasil como destino é a grande dificuldade (minha, pelo menos). Principalmente profissionais Europeus ou Americanos (sem elitismo), que têm o inglês como primeira ou segunda língua (e não o português).

Nessa questão idiomática, mesmo comparando-se com outras economias emergentes, tais como Índia e Africa do Sul (Os “I” e “S” do BRICS), o Brasil fica em desvantagem, já que esses países têm o inglês como (uma das) suas línguas oficiais.

Na “parte 2” desse post conto um pouco da experiência que tive com estrangeiros trabalhando no Brasil (de professores à colegas de trabalho) e algumas conversas que tive com Europeus e Sul-Americanos que moram aqui na Austrália, e que tiveram oportunidades de imigrar para o Brasil, mas preferiram a Austrália. Já na “parte 3” coloco algumas idéias do que fazer para atrair mais profissionais ao Brasil.

Estatísticas sobre os Imigrantes

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Algum tempo atrás achei um site muito interessante com estatísticas sobre todos os imigrantes ao redor do mundo, o peoplemovin (sem o “g” mesmo). Reproduzo aqui alguns dados gerais curiosos e algumas comparações entre os dados brasileiros e australianos.

  • Aproximadamente 3,15% da população mundial vive fora de seu país de origem.
  • Em torno de 2% (441 mil) dos australianos vivem fora da Austrália, tendo como principais destinos em ordem: Reino Unido, Estados Unidos, Nova Zelândia e Canadá. Nenhuma surpresa nesse dado, já que são países de língua inglesa e com forte identificação com a Austrália.
  • 26% da população Australiana é oriunda de outros países. É hoje o país com o maior percentual de estrangeiros. Mais de 1,2 milhões de habitantes tem o Reino Unido como origem, o que também não chega a ser uma surpresa. Nova Zelândia e China completam o top 3. Não achei nesse site em específico, mas de acordo com último senso Australiano, existem 7 mil Brasileiros morando aqui.
  • 1,4 milhões de Brasileiros (0,7% da população) vivem fora do país, tendo como principal destino Estados Unidos, Japão e Espanha em ordem.
  • Apenas 0,34% da população Brasileira é composta por imigrantes hoje em dia. É um número muito baixo, especialmente comparado às outras economias emergentes. Até mesmo a Índia possui um percentual de 0,46% imigrantes. A Rússia tem 8,8%.
  • Também sem nenhuma surpresa Portugal, Japão e Itália são os países com maior número de imigrantes no Brasil.
  • Não consegui encontrar o número de Australianos morando atualmente no Brasil.

Ainda não me acostumei

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Quase dois anos morando em Sydney e ainda existem algumas coisas que eu não consigo completamente entender ou aceitar de bom grado. Alguns exemplos:

  • Shopping Center fechando às 5 da tarde: Comentei algumas vezes sobre isso já, mas é sempre irritante a idéia de ter que correr para o Shopping antes que ele feche. Especialmente aos finais de semana e com horário de verão como agora.
  • Surcharge de domingo nos restaurantes: Muitos restaurantes têm um valor diferenciado no menu aos domingos e feriados, pelo simples fato de ser domingo ou feriado. Uma espécie de compensação por estarem trabalhando nesse dia ou algo assim. Ou é um percentual aplicado sobre o valor final da conta ou então um valor fixo em dólar adicionado no total. Muitos locais que trabalham somente com entrega também tem um valor diferenciado para o domingo.
  • Beterraba no hambúrguer: Mais um assunto antigo, discutido aqui algumas vezes, mas que não tem jeito. Quanto mais tempo fico aqui, menos entendo isso.
  • Pouca gente lavar a mão depois de ir no banheiro: Uma mania irritante (pra dizer o mínimo), mas que fica ainda mais irritante pelo fato de um apresentador de um dos progamas matinais aqui na TV dizer que é “besteira” lavar as mãos, já que só o fato de abrir a porta do banheiro novamente pra sair já deixa as mãos com germes novamente.
  • Fazer cachorro-quente em pão de forma: Pois é.
  • Valor do combustível mudando todos os dias: Certamente deve haver uma razão pra isso, mas eu desconheço qual é. O fato é que o valor do combustível muda todos os dias, algumas vezes até duas vezes por dia em um mesmo posto. A variação chega à 20 centavos por litro em alguns dias da semana. Normalmente de final de semana é mais caro, mas não é a regra.

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