Estatísticas sobre os Imigrantes

2 Comentários

Algum tempo atrás achei um site muito interessante com estatísticas sobre todos os imigrantes ao redor do mundo, o peoplemovin (sem o “g” mesmo). Reproduzo aqui alguns dados gerais curiosos e algumas comparações entre os dados brasileiros e australianos.

  • Aproximadamente 3,15% da população mundial vive fora de seu país de origem.
  • Em torno de 2% (441 mil) dos australianos vivem fora da Austrália, tendo como principais destinos em ordem: Reino Unido, Estados Unidos, Nova Zelândia e Canadá. Nenhuma surpresa nesse dado, já que são países de língua inglesa e com forte identificação com a Austrália.
  • 26% da população Australiana é oriunda de outros países. É hoje o país com o maior percentual de estrangeiros. Mais de 1,2 milhões de habitantes tem o Reino Unido como origem, o que também não chega a ser uma surpresa. Nova Zelândia e China completam o top 3. Não achei nesse site em específico, mas de acordo com último senso Australiano, existem 7 mil Brasileiros morando aqui.
  • 1,4 milhões de Brasileiros (0,7% da população) vivem fora do país, tendo como principal destino Estados Unidos, Japão e Espanha em ordem.
  • Apenas 0,34% da população Brasileira é composta por imigrantes hoje em dia. É um número muito baixo, especialmente comparado às outras economias emergentes. Até mesmo a Índia possui um percentual de 0,46% imigrantes. A Rússia tem 8,8%.
  • Também sem nenhuma surpresa Portugal, Japão e Itália são os países com maior número de imigrantes no Brasil.
  • Não consegui encontrar o número de Australianos morando atualmente no Brasil.
Anúncios

Dimensões Culturais

2 Comentários

Esse é um post mais teórico com relação às diferenças culturais entre Brasil e Austrália. Uma das maneiras de se analisar essas diferenças é através da “Teoria das Dimensões Culturais” proposta por Geert Hofstede na década de 70; teoria essa baseada em um ambiente organizacional (IBM no caso). Ele define 5 dimensões nas quais podemos comparar culturas:

  • Distância ao poder (Power Distance – PD): É uma medida do quanto os membros menos poderosos de uma organização aceitam e esperam distribuição desigual de poder na sociedade. Ela se baseia no fato de que as pessoas dentro de uma organização/sociedade não tem o mesmo poder e como as pessoas reagem a isso. Em uma sociedade com grande “Distância ao Poder” os indivíduos aceitam bem a hierarquia; aceitam o fato de que indivíduos acima na hierarquia tenham privilégios e são mais inacessíveis, enquanto em uma sociedade com baixa Distância ao Poder esse sentimento é quase inexistente.
  • Individualismo (Individualism – IDV) : Essa é uma dimensão interessante e tenta medir se em uma sociedade a tomada de decisão de um indivíduo leva mais em conta o ganho pessoal ou o ganho coletivo, seja numa organização ou em uma sociedade. Até que ponto as pessoas sentem que têm de tomar conta de si próprias, das suas famílias ou organizações a que pertencem.
  • Masculinidade / Feminilidade (Masculinity / Femininity – MAS): É uma dimensão que tenta mostrar se uma sociedade é mais focada em conquistas, sucessos, em ser um vencedor (qualidades consideradas mais masculinas) ou se a sociedade tende mais à qualidade de vida e ao cuidado com os outros. O ponto aqui é entender o que motivam as pessoas numa sociedade: sucesso pessoal ou fazer o que gosta?
  • Evitar a incerteza (Uncertainty Avoidance – UAI): Reflete o sentimento de desconforto que as pessoas sentem com relação aos riscos, caos e situações não estruturadas. É uma espécie de medida de como uma sociedade lida com a ansiedade e com o planejamento futuro.
  • Orientação a Longo Prazo (Long-term Orientation – LTO) : indica em que medida uma sociedade baseia as suas tradições sobre os acontecimentos do passado ou do presente. É uma medida de quanto as tradições são respeitadas em uma sociedade e se o que importa é a persistência ou resultados à curto prazo.

Enfim, depois da definição de cada uma das dimensões vamos ao quadro comparativo entre Brasil e Austrália dado pelo professor Hofstede.

Analisando então dimensão por dimensão.

A Austrália apresenta uma distância ao poder menor que o Brasil, ou seja, as pessoas aqui tendem a crer que a hierarquia e o poder não significam benefícios e nem que o tratamento das pessoas tenha que ser diferenciado por conta disso. Eu concordo com isso. Um exemplo simples é o fato de a primeira-ministra do país eventualmente participar de programas de televisão, mesa-redondas, etc. sendo alvo inclusive de piadas e de perguntas bastante incisivas. No Brasil seria praticamente inconcebível a presidente participando de um programa do estilo do CQC. Nas próprias empresas os benefícios usuais encontrados no Brasil para cargos gerenciais não costumam ocorrer aqui (estacionamento pago, melhor plano de saúde, etc.).

No quesito individualismo a Austrália se mostra um país bem mais individualista que no Brasil, implicando que no Brasil as pessoas tendem a tomar decisões pensando mais no bem coletivo. Não concordo totalmente com esse ponto. Se pensarmos em termos de decisões políticas, por exemplo, a implantação de bolsas para distribuição de renda, grande participação nos lucros em algumas empresas, papel forte de sindicatos, etc. pode-se concluir que as decisões levam mais em conta o bem coletivo. Meu ponto é que isso acontece pelas razões erradas, ou seja, essas decisões tem por trás delas uma intenção de benefício individual (aumento de força política, votos, popularidade, etc.) e não o bem coletivo em si.

Dizer que a Austrália é uma sociedade mais masculina que o Brasil me surpreendeu muito. Aqui me parece que o foco em qualidade de vida é maior. Por todo o histórico de desemprego no Brasil, acredito que a competitividade é mais acirrada lá. Sem contar o fato de que pessoas com maior poder aquisitivo no Brasil certamente tem vantagens, diretas e indiretas, sobre aqueles de baixo poder aquisitivo, aumentando ainda mais as características masculinas da sociedade.

As duas últimas características podem ser agrupadas em uma mesma análise e demonstra basicamente a diferença entre primeiro e terceiro mundo. Em um país com histórico de inflação, desemprego e falta de ajuda governamental como o Brasil é normal que as pessoas tendam a arriscar menos e focar em ter uma vida segura; assegurar o sonho da casa própria; deixar algo de herança para os filhos, etc.

Brasileiros segundo o Censo

1 Comentário

O último Censo apontou um número pouco maior de 7,500 brasileiros morando na Austrália.

Achava que o número seria bem maior que esse.

O número maior de sul-americanos aqui é de Chilenos – interessante.

Rádio SBS

1 Comentário

A rádio SBS aqui da Austrália transmite noticiários em português brasileiro de quarta-feira à sábado pela manhã (das 11 da manhã ao meio dia). O foco do programa são as notícias nacionais australianas ,algumas pinceladas das notícias internacionais e sempre que existe algum evento brasileiro ocorrendo por aqui, eles também comentam. É uma produção interessante, de boa qualidade e que eu acho que vale a pena ficar de olho.

Os programas anteriores podem ser escutados diretamente pelo site da rádio ou você pode assinar gratuitamente o PodCast do programa.

A rede SBS também transmite um noticiário de Portugal, todos os domingos pela manhã (9am), mas com foco total nas notícias locais portuguesas.

Guaraná Antarctica

Deixe um comentário

Encontrar Guaraná Antarctica pra vender na Austrália é bem fácil, mas como tudo por aqui não é muito barato. Pra quem não sabe o refrigeirante é fabricado no Brasil, Portugal e Japão – são justamente os fabricados nesse último que são encontrados por aqui.

As latinhas são curiosas, já que em um dos lados o rótulo é escrito em japonês e no outro lado escrito em português. E somente a versão original é encontrada por aqui – o guaraná zero parece não ser produzido.

No site do Brazilian Style Foods cada latinha custa cerca de 2 dólares.

Pizza com guaraná em casa

Newer Entries