Toda virada de ano costuma ser igual. A gente acorda no dia 31, liga a TV e está passando algum tele-jornal, sempre com aquele mesmo tipo de chamada: “Já é ano novo na Austrália! Sydney recebe o ano novo com fantástica queima de fogos na famosa ponte da baía de Sydney”. Todo ano costuma ser igual, mas não esse, pelo menos não pra nós. Esse ano a gente estava do lado de cá.

2011 se aproximando

Como não poderia deixar de ser no nosso primeiro reveillon aqui na Austrália, quisemos ver a queima de fogos na Harbour Bridge e, de preferência, ficar bem de frente ao Opera House. Durante a semana a gente já vinha lendo na internet e assistindo na TV que quem quisesse ficar perto do Opera House teria que chegar cedo ao local. Até aí nenhuma novidade – nos programamos então para chegar lá em torno das duas da tarde.

Pegamos o ônibus em direção ao Circular Quay, cerca de 40 minutos aqui de casa. Muitas campanhas na televisão pedindo para usar somente transporte coletivo, inclusive porque na saída do evento o transporte público seria gratuito. Nem precisava pedir, já que a gente não tem carro mesmo! Mas de qualquer maneira o transporte coletivo em Sydney, apesar do alto custo, funciona bem e é confortável. Quase a totalidade dos ônibus possui ar-condicionado, assentos estofados e os motoristas não permitem superlotação. O metrô, que na verdade é um trem de dois andares, também é bastante confortável, apesar de um pouco lento.

Chegando lá, passamos pelo processo de revista, já que não era permitida a entrada de bebida alcoólica, assim como nenhuma embalagem de vidro. Parece que isso é uma resolução nova, já que muita confusão e muitas prisões estavam acontecendo nos últimos anos. Esse ano em uma festa para 1,5 milhões somente 14 incidentes foram registrados – pelo menos foi isso que eu entendi na televisão! hehe!

Mas mal sabíamos que duas da tarde já era tarde demais para chegar lá. Toda a área ao redor do Opera House já estava lotada e a polícia não estava mais deixando ninguém passar. Tivemos que nos contentar com a vista apenas da Harbour Bridge, mas tudo bem.

O problema maior é que estava muito calor e estávamos lá desde as duas da tarde. Ficar embaixo do sol por mais de 10 horas cercado por mais de 1 milhão de pessoas não é das coisas mais agradáveis do mundo. Dá uma olhada como a gente estava confortável:

10 horas no sol e nesse aperto

A primeira queima de fogos começou às 9 da noite – a chamada queima de fogos pra família. Havia muita reclamação das famílias com criança pequena e agora, em vários bairros da cidade, existem comemorações mais cedo para as famílias. Algumas até antes, em torno das 5 da tarde.

Depois disso já era noite e foi um pouco mais fácil de aguentar. Três horas de ansiedade até a queima de fogos oficial.

Meia-noite então começa o ápice da festa, uma queima de fogos muito bonita de aproximadamente 12 minutos. Cada ano com um tema diferente, a de 2001 era “Make your Mark”. Mas a verdade é que uma visão somente da ponte não dá uma idéia total da grandiosidade da queima de fogos, já que ela é um evento maior, ou seja, uma sincronização entre os fogos na ponte, no Opera House, hotéis nos arredores e alguns outros locais nas redondezas – uma visão mais de longe, como são as fotos jornalísticas e os vídeos que sempre vemos na TV, talvez fosse ainda mais impressionante.

Linda queima de fogos na Harbour Bridge

Diferentemente do Brasil, onde a festa começa após a queima de fogos, com shows nas praias, etc. aqui acaba. Fogos finalizados e todo mundo em direção ao trem para ir pra pra casa. Claro que existem muitos bares e casas noturnas na região que lotaram logo após o final da queima de fogos, mas a grande maioria das pessoas estava seguindo para o trem e indo embora.

Apesar da quantidade absurda de pessoas nos arredores, a saída até que foi tranquila e em pouco mais de 1 hora já estávamos em casa de volta.

Foi uma experiência que com certeza valeu à pena, mas ano que vem talvez prefira voltar a ver pela televisão. Ou então em alguns dos barcos e restaurantes que estavam cobrando mais de mil dólares por pessoa. Ficar em uma das coberturas gigantes de frente pra baía de Sydney também não está fora de cogitação. 🙂

Será que valia a pena estar nesses barcos?

Anúncios